A parte mais difícil da vida é quando você precisa escolher o que quer fazer dela. Aquela típica pergunta de família que diz "o que quer ser quando crescer?" é sempre uma grande pressão. Até porque, nossas auto cobranças estão cada vez maiores, e não saber o que quer ser é quase o mesmo que falhar na vida.
E, sim, foi uma decisão difícil pra mim, carrego dúvidas até hoje.
Porém, escolhi. Publicidade e propaganda. Eu adoro e admiro tudo o que permeia este universo e não via a hora de conseguir um estágio/emprego. Passei os dois primeiros anos mandando alguns poucos currículos (medo, oi?) e não conseguia nada.
Até agora.
Finalmente, consegui o famigerado emprego na minha área, o marketing. De uma importante empresa, conhecida no Brasil inteiro. E, com isso, em apenas uma semana de trabalho, eu já aprendi MUITA coisa. Coisas que, pensando aqui agora, acho que acontecem com todo mundo que arruma o primeiro emprego que realmente importa, aquele que vai iniciar sua carreira. Por isso, preparei uma pequena lista dessas coisas para compartilhar com vocês.
Você ainda não sabe quase nada. Mas isso tá ok.
A primeira coisa que eu notei, e senti um pânico absurdo, é que eu não sei nada. Tudo aquilo que vejo na faculdade, é claro, me deu uma base. Um preparo. Mas como me disse um professor uma vez (o qual achei estar exagerando, mas não estava), a faculdade é 10%. O resto é só na prática. Então, está ok não saber. Está ok perguntar. Se informar. Pesquisar. E, principalmente, errar. A não ser que você tenha um emprego que lide com vidas, o que não é o meu caso, errar tem solução. Principalmente para quem tá começando, nunca vão nos jogar de cara na cova dos leões. Portanto, errem no começo que é menos risco, hehe. Talvez você sinta no primeiro dia que não nasceu para aquilo, mas uma semana depois faz sentido você não saber ou estar familiarizado com determinados assuntos. Não tenha medo. Se arrisque.
Não conhecer a galera te ajuda a aprender.
No meu caso, por exemplo, que fico quietinha e na minha, é maravilhoso. Eu trabalho numa sala com várias pessoas e presto atenção em absolutamente tudo que elas conversam. Tudo o que elas precisam resolver, com quem elas conversam, sobre o que, até mesmo o tom de voz. Quando você não conhece o pessoal, você fica mais tempo em silêncio. Assim, você observa, presta mais atenção. Existem exceções, claro, tipo os que já são extrovertidos e fazem amizades em 5 minutos. Mas se você, assim como eu, é tímido, tá aí uma vantagem. Dessa forma, a gente vai pegando o jeito das coisas. Como elas rolam no ambiente, no setor, entre setores. Com isso eu tô só alimentando meu cérebro e, quando precisar resolver algo, já sei mais ou menos o que fazer.
Você vê que é muito mais trabalho do que você pensa.
Na publicidade, eu sempre soube que era bastante trabalho. E trabalho doido mesmo, na correria. Mas as redes sociais, por exemplo, que é algo que me interessa, sempre achei que era tranquilo. Sempre. Apenas postar, gerar feedback. Só que agora vejo que não é nada simples. Tem todo um universo por trás disso, não é só você e o computador. É um acúmulo de questões, de situações, de pessoas envolvidas, de pesquisa. E é legal porque na faculdade você precisa estudar de tudo e pensa "ah, mas vou seguir uma 'sub área' e não vou precisar de tal coisa", porém, provavelmente, você vai sim.
Você sente muito medo. Mas isso tá ok também.
Gente, meu Deus! Eu lidei com ansiedade, medo, estresse, desespero, vontade de desistir, vontade de chorar, tudo ao mesmo tempo! Claro que eu sou uma pessoa muito nervosa com as coisas. E se você é assim como eu, consegue imaginar ou já passou por isso. Mas acho que, mesmo as pessoas mais tranquilas, sentem um friozinho na barriga. Eu fico com aquela pulga atrás da orelha de "será que é assim mesmo?", ainda que a pessoa tenha acabado de me explicar. É um medo que anda junto com o fato de que você não sabe quase nada. Mas isso está muito ok. O medo nos ajuda, até mesmo, a sermos mais cautelosos. Pensar antes, perguntar se não tiver certeza. E isso é muito bom. O ideal é sempre pensar que todo mundo que está ali com você, também já teve uma "iniciação". E passaram por isso, felizes. Você também consegue.
Ao mesmo tempo, você se sente muito bem.
Ter coisas pra fazer e coisas que você se identifica te faz feliz. Gera um grau de importância na sua vida. Um sentimento de "sou adulto". De "agora sim". Ter responsabilidades não é algo ruim. É uma nova fase. Eu fiquei com a sensação de que agora tudo vai se ajeitar, sabe? Sentindo orgulho de mim, por saber que outras pessoas estão com orgulho de mim. Meus amigos, minha família. E acho que não tem nada mais indescritível que essa sensação. As pessoas vão te perguntar como é seu trabalho e você vai falar sobre isso com tanta convicção. Aquela superioridade gostosinha e saudável de "ah, agora eu sei o que é ter uma carreira" de uma semana. Enfim, é uma coisa que nos deixa felizinhos e orgulhosos de nosso esforça, vendo que vale a pena.
Não queira agradar. Queira ser eficiente.
Por último, a coisa que, para mim, foi a mais importante. O meu momento eureca. Não tente agradar pessoas. Não tente impressionar, fazer para aparecer. Não tente forçar uma amizade que ainda não existe com os colegas de trabalho. Seja educado, é claro. Converse com eles, sim. Mas está ok se não rolar assunto. Uma hora, as amizades surgem. Isso é indiscutível, uma qualidade normal do ser humano. Mas não é o primordial na sua área de trabalho. Você não está ali para fazer amigos. Está ali para ser eficiente. E, se for, não vai precisar forçar nada. As coisas vão vir naturalmente, as pessoas vão notar seu potencial sem você esfregá-lo na cara de ninguém. Lembre-se sempre de que o nosso potencial nasce com a gente, ele só precisa ser exercitado. Ser posto em prática. Faça seu trabalho, sua parte, que o resto vem.
Até agora, esse foi meu aprendizado. O mais legal é saber que eu ainda tenho taaaanto para aprender, com relação a isso. Tanta coisa vai acontecer. E, com certeza, vou compartilhar por aqui, porque não acredito ser a única nesse barco.
Alguém já passou por isso? Está passando agora? Contem para mim suas experiências, eu adoro saber, hehe.
Beijos e até a próxima! *-*